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Uma em cada três vítimas consumiu álcool

É comum e amplamente registrado o uso de álcool por motociclistas brasileiros, atitude ainda mais temerária do que dirigir embriagado um carro.

Artigo publicado pelo Senado na revista « Em discussão », em número especial, com título « Explosão de motos e mortes » de Novembro 2012 (página 32).

Não é novidade que o álcool é uma droga que pode ter efeito depressor ou estimulante sobre o cérebro. Seu consumo aumenta o risco de acidentes porque modifica a capacidade de discernimento, torna reflexos mais lentos, deteriora a visão. Ainda assim, é comum e amplamente registrado o uso de álcool por motociclistas brasileiros, atitude ainda mais temerária do que dirigir embriagado um carro.

A Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), o Hospital das Clínicas da USP e o Instituto Médico Legal de São Paulo comprovam a alcoolemia positiva exagerada em motociclistas vitimados na maior cidade brasileira. Um estudo do Hospital das Clínicas mostrou que 35% dos motociclistas acidentados e atendidos naquela instituição estavam sob efeito de álcool.

De acordo com Maria Cristina Hoffmann, coordenadora geral de Qualificação do Fator Humano no Trânsito do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), um motociclista com alcoolemia superior a 0,05g/100ml (cerca de quatro doses) corre até 40 vezes mais risco de se envolver em um acidente.

“As causas dos acidentes de trânsito são múltiplas, complexas e estão relacionadas com várias determinantes sociais e econômicas e também com comportamentos, fatores de risco, como o excesso de velocidade e o álcool”, confirma Marta Maria Alves da Silva, coordenadora da Área Técnica de Vigilância e Prevenção de Violências e Acidentes do Ministério da Saúde.

Prejuízos e mortes

Um grupo de pesquisadores gaúchos passou o ano de 2008 nos prontos-socorros e necrotérios de Porto Alegre para concluir o estudo Custos dos Acidentes de Trânsito com Vítimas Causados por Abuso do Álcool. Assinado por Sabino Porto Júnior e outras quatro pesquisadoras, o levantamento constatou a presença de álcool no sangue em 36,7% das 155 vítimas fatais de trânsito analisadas. Entre esses mortos, com média de idade de 34 anos, um em cada três era motociclista.

O mesmo estudo estimou o que essa mortalidade representou de sobrecarga ao sistema de saúde e em perda de produtividade econômica. O SUS avaliou o custo total dos acidentes causados por abuso de álcool em R$ 66,44 milhões, enquanto a Associação Médica Brasileira (AMB) estimou em R$ 69,9 milhões. As 155 mortes equivalem a 5.881 anos de vida desperdiçados (levando-se em conta a expectativa média da população brasileira) e a 33.932 dias perdidos de trabalho. As despesas médicas diretas, ressalta o trabalho acadêmico, compõem pequena parcela do montante (11,6%), cabendo aos custos indiretos (dias perdidos e mortalidade) a maior parte.

Mesmo entre aqueles que sobrevivem ao acidente, as perdas são tremendas. No universo avaliado pelo estudo, 35% perderam renda após o acidente e, destes, 60% admitiram ter perdido de 75% a 100% da renda, devido a sequelas e posterior incapacidade parcial ou total para o trabalho.

“A lei seca age nos veículos sobre quatro rodas e esquece o motociclista, principalmente no Norte e Nordeste. Não vemos no noticiário nenhuma apreensão de motociclistas utilizando álcool. Se esqueceram deles”, alerta Dirceu Rodrigues Alves Junior, diretor de Comunicação da Abramet, que participou dos debates no Senado.

 

Outras condutas de risco

Além do consumo de álcool, a direção temerária, a negligência e a imprudência continuam no topo das condutas de risco de motociclistas, de acordo com o trabalho Mortos e Feridos sobre duas rodas — estudo sobre a acidentalidade e o motociclista em São Paulo, de Heloísa Martins e Eduardo Biavati. A conduta de risco do motociclista determina a morte e o acidente: 74% das mortes foram causadas por práticas como andar no corredor entre os carros, avanço do sinal vermelho, conversão proibida e trafegar na contramão.

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“A conduta do motociclista leva ao extremo a invisibilidade. No corredor, a velocidade diferencial potencializa o acidente, que ocorre em meio ao congestionamento da via; nas noites, é o não congestionamento que permite a velocidade. As mortes dos motociclistas ocorrem predominantemente em colisões (60%) com outros veículos, seguidas de choques com objetos fixos (15%) e tombamentos (15%), o restante ocorrendo em atropelamentos de pedestres (10%)”, revela o estudo.

Em 33% dos casos analisados, nas colisões o posicionamento no corredor foi o principal fator contribuinte para o impacto. A motocicleta foi atingida por trás ou lateralmente em mais de 30% das colisões, seja porque se interpôs inesperadamente à frente do veículo, impossibilitando a frenagem, seja porque foi derrubada pelo veículo que realizava manobra de mudança de faixa.

“A invisibilidade é fatal para o motociclista, mas não apenas para ele. Em 2007, 2.236 pessoas foram atropeladas por motocicletas. Representando apenas 10% da frota registrada, esse veículo esteve envolvido em 30% dos atropelamentos registrados em São Paulo. Em comparação, com uma frota seis vezes maior, os automóveis foram responsáveis por 54,3% dos atropelamentos na cidade”, diz o texto.

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