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Rio Grande do Sul reduz violência no trânsito com parcerias e mobilização

(Fevereiro 2012) 

Ações de fiscalização e conscientização contribuíram para a redução de 8% das mortes por acidentes do trânsito entre 2010 e 2011

Marina Lemle
O Rio Grande do Sul reduziu em 8% o número de mortes por acidentes de trânsito em 2011 em relação a 2010, segundo dados preliminares apresentados em 25 de janeiro pelo vice-governador Beto Grill.

Grill participou de debate sobre a Política Estadual de Segurança no Trânsito na tenda da Juventude Socialista Brasileira instalada no acampamento do Fórum Social Temático, em Porto Alegre.

Ele explicou que, para que o estado possa cumprir a meta de redução de 50% no número de mortes em acidentes no mundo estipulada pela ONU para a Década de Ação pela Segurança no Trânsito, a questão do trânsito passou ao centro do governo, sendo tratada diretamente pelo vice-governador. Ele lembrou que morrem no mundo por ano cerca de 1,3 milhão de pessoas e que 90% dessas mortes ocorrem em países em desenvolvimento. Hoje o custo dos acidentes de trânsito no Brasil é de R$ 30 bilhões por ano, ou seja 1,5% do PIB. Em 2011, 58.134 pessoas receberam indenizações do seguro DPVAT por morte, um crescimento de 14,5% em relação a 2010, quando foram pagas 50.780 indenizações. As indenizações por invalidez foram pagas a 239.738 pessoas em 2011 e a 151.558 em 2010. Outras 68.486 pessoas receberam reembolsos de despesas médicas em 2011, contra 50.013 no ano anterior.

Mais pardais, menos mortos

Representantes do governo fizeram visitas à França e à Espanha para conhecer boas experiências. Grill contou que, na Espanha, foi identicada uma relação entre o aumento do número de pardais e a redução do número de mortos. "Os pardais não são sinalizados. As pessoas têm que andar na regra ou serão multadas", explicou.
O país, que copiou o modelo da França, teve a maior redução de óbitos no mundo: 54% entre 2003 e 2009 - de 128 mortos por milhão de habitantes para 69. O Brasil tem 210 mortos por milhão e o Rio Grande do Sul, 170.
Segundo o vice-governador, o estado registrou, em 2010, 1713 óbitos e 50.504 lesões por acidente de trânsito – número maior que qualquer outro tipo de lesão violenta. Para diminuir o que chamou de "carnificina", o primeiro passo foi constituir o Comitê Estadual de Mobilização pela Segurança no Trânsito, que reúne o poder público, com a participação de órgãos públicos das três esferas de governo, e a sociedade organizada. A partir de estudos sobre as causas dos acidentes e o perfil das vítimas, a política estadual de trânsito definiu poucas questões a serem bem trabalhadas: respeito aos limites de velocidade, controle do álcool e drogas, uso de dispositivos de segurança (cinto, cadeira para crianças e capacete) e não uso de celular na direção.
Grill explicou que a política contempla projetos em curto, médio e longo prazos. A curto prazo, concentra-se em fiscalização e punição. “É o que faz mudar”, disse. A médio prazo, os esforços são voltados à educação para o trânsito, melhoria na formação dos condutores e capacitação de profissionais. E a longo prazo, a meta é garantir a segurança viária, investindo na malha, através da pavimentação, manutenção, sinalização e duplicação de rodovias, e promover a segurança veicular. Também será estimulado o uso de outros meios de transporte e do transporte coletivo.
Segundo o vice-governador, os eixos de ação são políticas permanentes, transversais e com focos bem definidos, além da disseminação de informações para que as pessoas se tornem parceiras e mudem seus comportamentos. Ele enaltece a importância da parceria com a sociedade civil. "O governo, sozinho, não consegue garantir as mudanças. Precisamos das ONGs, com coordenação para que não se sobreponham e nem se afastem. Procuramos estabelecer o diálogo transversal", contou.
Presente ao evento, o deputado estadual Miki Breier, cordenador da Frente Parlamentar Estadual em Defesa do Trânsito Seguro da Assembleia Legislativa, disse que, embora a legislação de trânsito esteja atrelada à esfera federal, é possível realizar projetos bem sucedidos em nível estadual e municipal. Miki ressaltou a necessidade de uma nova postura de todos os atores que compõem o dia-a-dia no trânsito.
“O Rio Grande do Sul está assumindo uma postura proativa em segurança viária. É necessário que cada um de nós colabore para a mudança de atitude. A juventude tem um grande papel como formadora de opinião”, afirmou.
Para o sociólogo Eduardo Biavati, que também participou do debate, a meta de redução de 50% das mortes até 2020 dependerá do engajamento ativo dos jovens:
"Os jovens são sempre considerados o 'problema' da violência no trânsito, seja como agentes ou vítimas. Mas é preciso vê-los como a 'solução' para a violência, trazendo-os para o centro da política de segurança, tornando-os produtores de conteúdo e principal pólo de difusão de novos comportamentos seguros. Não se trata de uma política PARA jovens, mas de uma nova política COM jovens. Essa é uma ruptura que ainda terá que ocorrer se quisermos contar com alto poder de influência desse grupo nas redes reais e virtuais de sociabilidade."
Jovens de moto
A juventude é justamente um ponto chave nas políticas para um trânsito seguro. Do total de vítimas fatais de acidentes de trânsito nos últimos cinco anos no RS, 28% eram motociclistas, a maioria jovens homens entre 18 e 24 anos. Em 71% dos acidentes envolvendo motos, o morto foi o próprio condutor, e 27% não tinham habilitação. Quarenta por cento dos acidentes ocorrem no final de semana, a maioria a noite.
São um milhão de motos no estado, que representam 20% da frota. De 2007 a 2011, enquanto a frota de veículos cresceu 30,5%, e a de motos avançou 35,6%. No mesmo período, o número de motoristas de carro cresceu 15% e o de motociclistas, 28%. No Brasil 65% das indenizações do DPVAT são por acidentes envolvendo motos. Os casos de invalidez aumentaram 58% em relação ao ano anterior. "Na motocicleta, o motorista é o parachoque", lamentou Grill.
Baladas e viagens seguras
Para reduzir o número de vítimas, principalmente jovens, o governo investe nas operações Balada Segura e Viagem Segura. Os ônibus Balada Segura circulam diariamente das 22h às 04h30, de 30 em 30 minutos, com tarifa de R$ 2,70, em áreas da cidade com grande concentração de bares e restaurantes. Segundo o vice-governador, na área de abrangência da Balada Segura - capital e litoral - as mortes em trânsito foram reduzidas em 30%. Este ano, o programa deverá alcançar as principais cidades do RS.
A operação Viagem Segura, cujo lema é "Pra todo mundo voltar pra casa", reúne Brigada Militar, Polícia Rodoviária Federal, Polícia Civil, Detran/RS e Cetran/RS, em ações de fiscalização para combater a acidentalidade, sob a coordenação do Comitê de Mobilização pelo Trânsito Seguro. As ações são realizadas em pontos levantados pelo Detran/RS como de alta acidentalidade, incluindo as rodovias de acesso ao litoral e os entroncamentos de rodovias com as cidades.
Paralelamente, o Detran/RS investiu em campanhas para conscientização de motoristas de alto impacto, com cenas fortes, como um atropelamento. A campanha "Desarme-se – a paz no trânsito depende de você" mostra que bebida, excesso de velocidade e falta de atenção não combinam com direção. E a campanha que traz o slogan “Diferente dos carros, sua vida não tem recall” ressalta a necessidade de cuidado na estrada e reforça a importância da segurança em todos os feriados do ano, na ida e na volta. Veiculadas em jornal impresso, rádio e televisão, as peças publicitárias têm como objetivo lembrar aos motoristas que todos são responsáveis por fazer um trânsito mais seguro.
Consultor em segurança no trânsito e autor do blog http://biavati.wordpress.com, Biavati ressalta que o estado do Rio Grande do Sul foi a primeira unidade da Federação a articular como política de governo a questão da segurança viária. "Essa centralidade, articulando intersetorialmente uma política integrada com metas e planejamento, é um caso ainda único no país", destaca.

Saiba mais:

Década de Ação pela Segurança no Trânsito – RS
Blog aberto especialmente pelo Detran, apresentando eventos, notícias e documentação. Clique aqui

Estatísticas do Detran RS até 2011. Clique aqui

Pesquisa Trânsito 2010, do DETRAN-RS. Clique aqui

Blog do Eduardo Biavati. Clique aqui

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